Milton Campos


16 de agosto de 1900 – 16 de janeiro de 1972

A herança política de Milton Campos expressa bem seu compromisso com a democracia: confiança na liberdade. Seu nome honra a fundação de estudos políticos do Partido Progressista.

Nascido em Ponte Nova, Minas Gerais, em 16 de agosto de 1900, filho de Francisco de Castro Campos e de Regina Soares, Milton Soares Campos iniciou a carreira acadêmica na Faculdade de Direito, em Belo Horizonte. Em 1918, já participava das eleições. Apoiou as candidaturas de Francisco Sales ao governo de Minas Gerais e de Nilo Peçanha para a presidência da República, como candidatos da Reação Republicana.

Jornalista, conviveu com o poeta Carlos Drummond de Andrade e com os líderes políticos mineiros Afonso Arinos e Gustavo Capanema. Como outros intelectuais daquela geração, Milton Campos desiludiu-se com as práticas eleitorais da República Velha e saudou a Revolução de 1930.

Deputado estadual constituinte em 1934, começou sua longa carreira em defesa do liberalismo. Denunciou o golpe do Estado Novo, em 1937. Com a volta da democracia, ajudou a fundar a União Democrática Nacional (UDN). Em 1945, elegeu-se deputado federal constituinte e tornou-se um líder político de expressão nacional.

Como resultado de sua atuação na Câmara dos Deputados, Milton Campos foi candidato ao governo de Minas Gerais em 1947, como um símbolo político e uma resposta do eleitorado de Minas Gerais aos anos da Ditadura Vargas. Vitorioso, colocou em prática sua visão social e cumpriu uma das melhores administrações da história de Minas Gerais. Fixou padrão ético de comportamento político que logo foi seguido por outros notáveis governadores.

Investiu na construção de escolas fundamentais, melhorando a qualidade da educação e fortalecendo o ensino agrícola, de nível superior. Estimulou a criação da Universidade Estadual de Minas Gerais. Implantou o Departamento da Criança que estabelecia uma política permanente de assistência às famílias mais pobres. No campo econômico, começou o planejamento da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) e estabeleceu o Plano de Recuperação Econômica e o Fundo de Eletrificação de seu Estado.

Milton Campos foi liderança nacional. Teve notável carreira prática após deixar o governo mineiro. Foi candidato a vice-presidente da República, em 1955, na chapa liderada pelo general Juarez Távora. Foi eleito senador, por Minas Gerais, em 1958. Um de seus primeiros projetos, em 1960, tratava da reforma política. No mesmo ano, foi, novamente, candidato a vice-presidente da República, na chapa liderada por Jânio Quadros.

No turbulento período posterior à renuncia do presidente, o senador Milton Campos teve influência pacificadora, até que a radicalização política das forças de esquerda exigiu uma postura mais ativa de defesa da democracia. Participou do movimento de 1964 e assumiu o Ministério da Justiça no governo de Castelo Branco, confiante na natureza transitória da experiência militar e na manutenção do calendário eleitoral.

Deixou o cargo, em 1965, por discordar dos rumos do regime e retornou ao Congresso. Em 1966, Milton Campos foi eleito pela segunda vez ao Senado Federal. Insatisfeito com a situação política, recusou nomeações para o Supremo Tribunal Federal. Faleceu no início de 1972.

Trabalhos Publicados
- Limites: Minas Gerais/Espírito Santo. Colaboração de Benedito Quintino dos Santos. Belo Horizonte, Imprensa Oficial de Minas Gerais, 1946.
- Ensino da Língua Portuguesa nas Escolas Mineiras. Belo Horizonte, Imprensa Oficial, 1949.
- Compromisso Democrático. Belo Horizonte. Secretaria de Educação do Estado de Minas Gerais, 1951. 395 P.
- Estudo sobre o funcionamento dos Parlamentos da Grã-Bretanha, República Federal Alemã, França, Itália, Estados Unidos da América, México e Peru. Colaboração de Nelson Carneiro. Brasília, Senado Federal, 1966.
- Testemunhos e Ensinamentos. Prefácio de Gontijo de Carvalho. Rio de Janeiro. J. Olympio, 1972. (Coleção Documentos Brasileiros, 154).

Mandatos
Deputado Estadual - 1935 a 1937
Deputado Federal –1946 a 1947
Governador - 1947 a 1951
Deputado Federal –1955 a 1959
Senador - 1959 a 1964
Ministro da Justiça - 1964 a 1966
Senador - 1967 a 1972